Túmulo do Conselheiro do Império


 

Joaquim Delfino Ribeiro da Luz

Histórico

Não temos referências sobre quem foi o construtor do túmulo do Conselheiro do Império Joaquim Delfino Ribeiro da Luz – no início do século XX – localizado no Cemitério Municipal. Mesmo assim, o monumento é importante para os cristinenses, pois ali estão guardados os restos mortais de tão importante figura na história do Brasil/ Império, filho da cidade de Cristina.

O conselheiro do Império Joaquim Delfino Ribeiro da Luz, nasceu em Espírito Santo dos Cunquibus (atual Cristina) em 25 de Dezembro de 1824, filho do casal de pioneiros desbravadores da região: Bento Ribeiro e Felicidade Perpétura da Luz (sobrinha do Padre José Dutra da Luz – considerado o fundador de Cristina).

Formou-se em Direito pela Faculdade do Largo de São Francisco, em São Paulo, em 1848, sendo – em seguida – nomeado Juiz Municipal e de Órfãos da, então, freguesia de Itajubá.

Ingressou no Partido Conservado e teve carreira política rápida e destacada, elegendo-se deputado por várias legislaturas. Foi também presidente da Província de Minas Gerais, Ministro das pastas do Exército, da marinha, da Justiça e da fazenda, até ser elevado ao cargo de Conselheiro do Império, destacando-se – da mesma forma – como Senador.

Sendo amigo pessoal do Imperador D. Pedro II, foi por sua iniciativa que a, então, Vila do Espírito Santo dos Cumquibus pleiteou, através dele, a mudança de seu nome para Vila Cristina, em uma homenagem à Imperatriz do Brasil, Tereza Cristina de Bourbon Orleans e Bragança.

Proprietário de um dos imensos casarões situado na principal rua de sua terra natal hospedou, em 1º de dezembro de 1868 nesta casa, a Princesa Isabel Cristina e seu marido Conde D' Eu, quando de sua viagem à Cristina em agradecimento à homenagem prestada à sua mãe. Era proprietário da fazenda Amarela (bairro da Colônia), cuja casa sede permanece até hoje original.

Com a queda da Monarquia, em 1889, retirou-se da vida pública, permanecendo definitivamente em Cristina – na época já município – até o seu falecimento, em 2 de Junho de 1903. Está sepultado logo na entrada do Cemitério Municipal da cidade. Segundo consta foi ele o doador do relógio que, até os dias de hoje, está instalado no alto de uma das torres da Matriz de Cristina.
Descrição detalhada

O bem cultural imóvel situa-se à direita do Cemitério Municipal de Cristina, sendo o primeiro após o portão da entrada principal . Possue como vizinhos outros túmulos adjacentes.

Destaca-se pela imponente arquitetura neogótica. Na fachada central encontramos a porta em arco ogival emoldurada por estuque com fecho em florão. Nas laterais erguem-se as colunas de pilares compostos com capitel folheado. Nas extremidades da base do globete erguem-se pináculos com florões e cogulhos arrematando toda a elevação do frontão. Em todas as fachadas há aplicação de friso ogival primitivo em estuque e o teto é aparente mostrando a cobertura ogival da cripta.

O Túmulo está implantado em terreno com declive. Sua planta é retangular em bloco único e de pavimento térreo/único, sem tendência de adensamento na área. O sistema construtivo é autoportante, misto de alvenaria e forro ogival em estuque. Não há janelas e o vão da porta é protegido por portão de duas folhas de ferro forjado com características de rendilhado sob forma de trifólio. Por ser uma cripta, não são encontrados vãos.

Na lápide, dentro da capela há inscrições:

A) Aqui jazem os restos mortais do comendador Francisco Carneiro Santiago, fallecido a 30 de maio de 1876. E sua esposa D. Maria Generosa do Carmo, fallecida a 18 de março de 1867. Homenagem a seu genro, filhos e netos:

B) A memória do conselheiro Joaquim Delfino Ribeiro da Luz, senador do Império, nascido em Christina a 25 de dezembro de 1824 e falecido em 02 de junho de 1903. Tributo de sua família.
Informações Complementares

Segundo informações obtidas em recortes do extinto jornal Nova Voz Cristinense (Marcelo Pereira Azevedo – jornalista responsável na década de 90), quando o benemérito e cristinense Dr. Silvestre Dias Ferraz Júnior voltou a residir em Cristina, após formar-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1873, ingressou na política local pelo partido Liberal e defendeu as idéias Abolicionistas, contrariando a doutrina conservadora encabeçada pelo maior chefe político da região, o Conselheiro Joaquim Delfino Ribeiro da Luz. Dr. Silvestre em pouco tempo elegeu- se deputado da Assembléia Provincial de Minas Gerais, fato este por várias legislatura. Entre os grandes benefícios que prestou em Minas, e, em especial a Cristina, está a implantação da Estrada de Ferro Sapucaí. (Ver tombamento da Cripta e Busto do Dr. Silvestre Dias Feraz Júnior.

CURIOSIDADES:

Luiz Barcellos de Toledo, em suas anotações sobre "O Sertão da Pedra Branca" escreve sobre o conselheiro: "...No dizer do sábio Dr. Couto Magalhães, o homem de espírito mais equilibrado de seu tempo, era um perfeito gentleman no trato e na elegância e ao mesmo tempo muito caridoso e amável para os pequenos, que tratava com o maior carinho e amor, preferindo-os muitas vezes aos grandes e poderosos. Não compete a mim escrever a biografia de um grande homem de estado como foi o Conselheiro Joaquim Delfino, porque não tenho habilitação para tanto. Convivi com ele, que me dispensava muita amizade, entre outras razões por não ser um adulador, gente que ele detestava, tive ocasião de conhece-lo de perto e de admirar as distintas qualidades que ornavam o seu belo e impoluto caráter. Era extremamente humano para com os seus escravos que o estimavam e respeitavam como um pai; em sua fazenda nunca houve castigos bárbaros como era costume nesses tempos. Senhora de grandes virtudes, que como ele declarou em testamento, foi ela querida, concorreu para a vida feliz e tranqüila que gozou sobre a terra. O Conselheiro Delfino foi o homem mais virtuoso de Chistina em seu tempo; ninguém, absolutamente, velhos e moços, amigos e adversários, lhe imputaram uma ação menos digna, foi um homem perfeito."

Segundo informações obtidas em recortes do extinto jornal Nova Voz Cristinense (Marcelo Pereira Azevedo – jornalista responsável na década de 90), quando o benemérito e cristinense Dr. Silvestre Dias Ferraz Júnior voltou a residir em Cristina, após formar-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1873, ingressou na política local pelo partido Liberal e defendeu as idéias Abolicionistas, contrariando a doutrina conservadora encabeçada pelo maior chefe político da região, o Conselheiro Joaquim Delfino Ribeiro da Luz. Dr. Silvestre em pouco tempo elegeu- se deputado da Assembléia Provincial de Minas Gerais, fato este por várias legislatura. Entre os grandes benefícios que prestou em Minas, e, em especial a Cristina, está a implantação da Estrada de Ferro Sapucaí.

"... Matriculado na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, Vital Brasil se torna estudante do curso médico, realizando, após dois anos de sacrifícios e incertezas, a primeira parte do seu grande sonho. A atividade no colégio deixava muito pouco tempo para o primeiro anistia de medicina, e a troca de correspondência com a família em São Paulo, dava conta da preocupação de Vital quanto aos estudos. Conhecedor da decisão do filho de não mais ser portador de cartas de apresentação, José Manoel escreveu ao então Ministro da Justiça Joaquim Delfino Ribeiro da Luz, velho conhecido de sua família para quem tinha servido como cabo eleitoral, pedindo para Vital um emprego que permitisse horas de estudo e freqüência às aulas da faculdade. Sensibilizado com o teor da carta recebida, determinou a admissão do estudante como Escrevente de Polícia, com o ordenado de trinta mil réis mensais. Recebendo na polícia salário igual ao que recebia no Colégio Froebel, sem a vantagem da casa, comida e roupa lavada, tornou-se imperativo conseguir algum tipo de complementação. Foi na casa do Sr. Elias da Silva que conseguiu receber ....."

Vital Brasil, fundou e dirigiu duas instituições científicas, o Butantan e o Vital Brazil, foi o grande inventor do soro antiofidico. Ele é Natural de Campanha – MG BRAZIL, Lael Vital. Vital Brazil – uma história. Jornal da Associação Paulista de Medicina, São Paulo, n. 96, abr. 1995. Suplemento

LEI Nº 823 – DE 6 DE JULHO DE 1857.

Carta de Lei, que eleva à Freguezia o Curato de Nossa Senhora da Madre de Deos, tendo por divisas as mesmas do Districto. O DOUTOR Joaquim Delfino Ribeiro da Luz, Official da Ordem da Rosa, Vice-Presidente da Provincia de Minas Geraes: Faço saber a todos os seus habitantes que a Assembléa Legislativa Provincial Decretou e eu Sanccionei a Lei seguinte:

Art. 1º Fica elevado a Freguesia o Curato de Nossa Senhora da Madre de Deos ao Municipio da Villa Leopoldina, tendo por divisas as mesmas do Curato.

Art. 2º Ficão revogadas as disposições em contrario.

Mando para tanto a todas as Autoridades a quem o conhecimento, e execução da referida Lei pertencer, que a cumprão tão inteiramente como nela se contém. Secretario desta Provincia a faça imprimir, publicar e correr. Dada no Palacio da Presidencia da Provincia de Minas Gerais aos seis dias do mez de Julho do Anno de Nascimento de Nosso Senhor Jezuz Christo de mil oitocentos e cincoenta e sete, trigesimo sexto da Independencia e do Imperio. (L.S.) JOAQUIM DELFINO RIBEIRO DA LUZ. Francisco Antonio do Carmo a fez. Sellada na Secretaria da Presidencia da Provincia aos 10 de Julho de 1857. Manoel da Costa Fonseca. Registrada a f. 109v. do Livro 4º de Leis e Resoluções da Assembléa Legislativa Provincial. Secretaria da Presidencia da Provincia de Minas Geraes 30 de Julho de 1857. Manoel da Costa Fonseca. Nesta Secretaria da Presidencia foi publicada a presente Lei aos 6 de Agosto de 1857. Rodrigo José Ferreira Bretas. Fonte: Livro de Leis Mineiras Tomo XXIII Parte 1ª Páginas 44 e 45.

JOÃO MAURÍCIO WANDERLEY

(Barão de Cotegipe)

1815 – 1889

Na Bahia, cursou o primário e o preparatório, e em 1832 em Pernambuco, matricula-se na Faculdade de Direito de Olinda, formando-se aos 22 anos de idade em Ciências Jurídicas e Sociais, a 6 de outubro de 1837. Regressando, à Bahia, encontrou-a enlutada pela "Sabinada", permanecendo por algum tempo junto com a família na cidade da Barra, situada no alto sertão. Ingressando na Política, em 1839, foi eleito suplente de Deputado à Assembléia Provincial da Bahia para o biênio 1840 – 1841, iniciando sua grande carreira. Reelegeu-se para os biênios 1842 – 1843, 1844 – 1845 e 1846 – 1847. Em 1842, foi nomeado por Carta Imperial Juiz Municipal de Órgãos dos Termos de Barra e Xique-Xique, na Província da Bahia, e, por alvará de 14 de novembro de 1842, Delegado de Polícia nos dois referidos termos. Neste período disputou e venceu várias eleições para Deputado, considerado dos Deputados mais atuantes na Câmara Temporária. Por carta Imperial de 28 de junho de 1844, foi promovido dos Termos de Barra e Xique-Xique, para Santo Amaro, das mais importantes da Bahia a fim de conciliar os interesses dos senhores de engenho, com os interesses do Governo. Em 2 de outubro de 1848 foi nomeado Chefe de Polícia de sua Província natal e condecorado por Carta de 1º de maio de 1849 com o oficialato da Imperial Ordem das Rosas, pelos serviços prestados nesse cargo, na repressão ao crime de moeda falsa e contrabando de negros. Como Chefe de Polícia, foi reeleito Deputado por duas vezes consecutivas. Por Decreto de 31 de dezembro de 1852 foi nomeado Juiz dos Feitos da Fazenda da Província da Bahia, e a 19 de junho de 1861, foi aposentado no cargo de Desembargador. Em 1852, foi nomeado Presidente da Província da Bahia. Título Grande Dignitário da Imperial Ordem do Cruzeiro, ao Barão de Cotegipe. Foi Ministro da Fazenda. E neste mister, criou os decretos de nº 6.034, de 20 de novembro de 1875, que promulgava o acordo sobre a cessão mútua de territórios celebrados entre o Brasil e o Peru; o de nº 6.236, de 21 de junho de 1876 que promulgava a Convenção sobre atribuições consulares entre o Brasil e Portugal; o de nº 6.237 de 21 de junho, de 1876 que promulgava a declaração entre o Brasil e a França para proteção das marcas de fábrica e comércio; o de nº 6.458, de 18 de janeiro de 1877, com o mesmo objetivo, entre Brasil e Alemanha. Na pasta da Fazenda entre os atos mais importantes, encontra-se o decreto por ele promulgado, nº 6.143, de 10 de março de 1876, determinado o valor, peso, título e módulo das moedas de ouro e de prata. Em 1879 ocupou a vice-presidência do Senado Imperial e de 1882 a 1885, foi seu Presidente. Após a queda de 53º Gabinete, incumbiu o Imperador o Barão de Cotegipe de organizar o seu Gabinete que ficou assim constituído: Barão de Cotegipe, Presidente do Conselho e Ministro dos Negócios Estrangeiros; Barão de Marmoré, Ministro do Império; Senador Joaquim Delfino Ribeiro da Luz, Ministro da Justiça; Deputado Francisco Belizário Soares de Souza, Ministro da Fazenda; Deputado Alfredo Rodrigues Fernandes Chaves, Ministro da Marinha; Senador João José de Oliveira Junqueira, Ministro da Guerra; Deputado Antonio da Silva Prado, Ministro da Agricultura, Comércio e Obras Públicas. Na qualidade de Ministro dos Negócios Estrangeiros, na ausência do Imperador, por ocasião de gravíssima enfermidade que o levou à Europa, assinou o Barão de Cotegipe, em 6 de março de 1886, o famoso decreto promulgando o tratado para reconhecimento dos rios Pequiy-guassu, e Santo Antonio e, do território que os separava, do Brasil e da República Argentina. Em 13 de março de 1886 foram promulgados os Atos Adicionais à Convenção Postal Universal de 1º de junho de 1878 e o seu regulamento. Ocupando interina e cumulativamente a Pasta do Império, assinou o Barão de Cotegipe a 7 de março de 1888 o decreto mandando observar o novo regulamento expedido para execução do artigo 2º da Lei nº 1.829, de 9 de setembro de 1870, que estabelecia o registro civil dos nascimentos, casamentos e óbitos. Ocupou os mais elevados cargos e prestou relevantes serviços à sua pátria e ao Império. Faleceu repentinamente, em novembro de 1889, quando ocupava o cargo de Presidente do Bando do Brasil.

Catálogo de Guerra

1887

35(04) (283) L979r LUZ, Joaquim Delfino Ribeiro da. RELATORIO // APRESENTADO // À ASSEMBLEA GERAL LEGISLATIVA // NA SEGUNDA SESSÃO DA VIGESIMA LEGISLATURA // PELO // MINISTRO E SECRETARIO DE ESTADO DOS NEGOCIOS DA JUSTIÇA E INTERINO DOS DA GUERRA // CONSELHEIRO // Joaquim Delfino Ribeiro da Luz // (Brasão) // RIO DE JANEIRO // IMPRENSA NACIONAL // 1887. 237p. Fonte Internet)

Duque de Caxias

Extraído do livro "Baependi", de José Alberto Pelúcio.

Luiza Rosa e o intendente Fernandes Viana.

Marquesa de Baependí. Barões de Santa Mônica.

Na fazenda Santa Mônica. Estada em Baependí.

Recordações. Provas de apreço.

Estava o Duque de Caxias intimamente ligado, em família, a um dos Nogueiras, descendente do velho tronco que se radicara na fazenda do Engenho, distrito de Baependí. Para que bem se conheçam esses estreitos laços, é necessário que se volte nossa atenção para os afastados tempos do governo D. João VI e se retire das sombras do passado o vulto de uma alta e austera dama – Luiza Rosa, viúva do desembargador Fernando Viana, célebre intendente que, naquela época, tanto fez pelo progresso da capital brasileira, com o apoio do sr. D. João VI. Viana testemunhou contra a sua pessoa, no mesmo dia em que aquele Bragança deixava o Rio de Janeiro, a má vontade de Pedro I, que destruiu, em pessoa, auxiliado por operários do Arsenal de Marinha, a arborização do jardim do Campo de Sant'Ana – enlevo do referido Intendente. Aquela briosa mulher, jamais se esquecendo da afronta sentida por seu esposo e estendendo sua aversão a quantos se ligassem a Pedro I, recusou a mão de Ana Luíza, sua filha, ao homem pertencente ao batalhão do Imperador e que, mais tarde, havia de ser o duque de Caxias, levando o bravo militar com isso a realizar, por uma forma romanesca, seu casamento com a encantadora filha do Intendente. Pois a severa e obstinada senhora, que se tornou sogra de Caxias, era irmã da marquesa de Baependí – Francisca Mônica Carneiro Costa, esposa do Marquês do mesmo nome, o eminente Manuel Jacinto Nogueira da Gama. Ambas eram filhas da baronesa de Campos – Francisca Maciel da Costa, casada com o coronel das milícias, Braz Carneiro Leão. Vinha a ser, pois, sobrinho afim da marquesa de Baependí o duque de Caxias. Dos seus três filhos, Luiza de Loreto Viana de Lima, a mais velha, casou-se com seu primo – Francisco Nicolau Carneiro Nogueira da Gama, moço fidalgo, barão de Santa Mônica filho dos marqueses de Baependí. Assim temos explicado a ligação de Caxias aos Nogueiras. Foram os barões de Santa Mônica pródigos em cuidados e atenções pára com o velho Duque de Caxias, que passou a viver, desiludido, seus últimos dias, na fazenda Santa Mônica, sita no estado do Rio de Janeiro, em Desengano, atualmente Japuranã, fazenda que recebeu seu nome em honra ao da Marquesa de Baependí. Lá se fundou o ínclito brasileiro, num quarto simples, numa simples cama de ferro. Aquele glorioso militar, que a morte arrebatou antes de completar 87 anos de idade, fora o homem de confiança que o governo do império escolhera para julgar, em São Paulo e em Minas, a revolução de 1842. E a esse fato aqui nos referimos pela parte relevante que no dito movimento teve Baependí. No plano inicial da invasão de Minas pelas forças governamentais, alem de outras colunas que se destinavam a diferentes pontos da Província, uma força havia, organizada pelo próprio Caxias quando ainda de encontrava em São Paulo, comandada pelo coronel Manuel Antônio da Silva, visando a Mantiqueira e, no setor desta, a então convulsionada Baependí. Não nos consta, porém, que nesta cidade, na época daquela revolução, estivesse o notável cabo de guerra, que tão bem sabia aliar a bravura à nobreza dos gestos, como o que teve para com Teófilo Ottoni, e seus companheiro de prisão, permitindo-lhes a viagem à cavalo para Ouro Preto e ordenando a retirada das algemas que traziam, apenas soube, em Sabará, da vexatória situação em que se encontravam os ditos revolucionários mineiros. Num mapa das viagens do benemérito patrício, inserto em Caxias , trabalho de Afonso de Carvalho,vem a de Baependí. Pena é que a mesma não dedicasse o referido escritor, em cuja obra colhemos valiosos subsíduos para estas linhas, esclarecimentos que seriam interessantes para a velha cidade, honrada com a visita do intimorato patriota, do qual o Brasil tanto se ufana. Essa visita, que devia ser algo demorada, pois o glorioso militar, durante a mesma, fazia uso das águas minerais de Caxambu, realizou-se antes de junho de 1855. Como decorreu a estadia do então marquês de Caxias em Baependí? Da melhor forma possível, A-pesar-de, relativamente não haver transcorrido muito tempo entre a revolução de 1842 e a estada do mesmo no lugar onde ela teve, como se sabe, assinalado surto, conquistou o Marquês "sympatias e affeições no meio desse povo", como no-lo refere o Baependyano, de 16 de maio de 1880. Aludindo, então, essa folha do ano de 1842, "no qual o ilustre hospede representou papel tão conspícuo como paladino da ordem, e portanto de um dos partidos em lucta na guerra civil das províncias", acrescentou: "Bem digno de estima devia ser o cidadão que só soube despertar taes sentimentos em um povo, a cujas discórdias intestinas sua personalidade estava tão vivamente associada". Não foi ele, pois, somente um conquistador de cruentas vitórias, mas, também de "sympatias e affeições" populares. Daí a estima e a confiança que inspirava aos dirigentes baependianos que, na Câmara Municipal, o escolheram, em 1865, com outros estadistas de renome, como já algures o referimos, para a domissão que, pela municipalidade, havia de congratular-se com o conselheiro Paranhos pelos seus serviços no Prata. Para os baependianos de hoje, talvez seja interessante o conhecimento de alguns pormenores da estada de Caxias na cidade e, por isso, mencionaremos, a seguir, com as nescessárias reservas, à mingua de documentação escrita, o que a esse respeito chegou ao nosso conhecimento, através de informações que nos foram ministradas. Em casa de Olímpio Carneiro Viriato Catão ter-se-ia hospedado Caxias. A casa onde ficou, já desaparecida, situava-se à rua 28 de setembro (rua de baixo), no local onde presentemente esta a residência da viúva de Francisco José Pereira (d. Caquinha); era assobradada, ao lado de um beco aí existente, para onde se abriam várias janelas, na parte superior. Em casa de descendentes de Olímpio Catão, acima referido, existia, não há muito, uma cadeira confortável, de madeira escura (provavelmente jacarandá), conhecida na família como "cadeira de Caxias", a este reservada, de preferência, quando da sua visita a Baependí. Um jarro e bacia de prata, hoje pertencentes a igreja matriz de Baependí, em virtude da doação à mesma feita por descendentes do referido Olímpio Catão, foi presente que se recebeu de Caxias, segundo as mesmas informações a que já aludimos. Não sabemos a data do regresso do ilustre hóspede; sabemos, porém, que Baependi não esquecera. Aconpanhara, ainda que de longe, sua brilhante trajetória. Não lhe regateou aplausos, como o comprovam os seguintes documentos: "Junho 12. Ao Exmo. Duque de Caxias. Exmo . Senr. A Câmara Municipal de cidade de Baependy, em nome de seus Munícipes, reconhecendo os relevantes e valiosos serviços prestados por V. Ex.ª na atual guerra do Paraguay, guerra que foi provocada pelo Dictador daquella Republica, e que levou a Nação a toda sorte de sacrifícios, d'entre elles muito apreciou esta Câmara a conducta de V.Ex.ª prestando-se com toda abnegação commandar as forças da terra e mar, que guiadas de Victoria, conseguirão o almejado fim, e se nos combates manifestou a V. Ex.ª tanto valor, se a honra Nacional foi disaggravada, de taes feitos a história fará menção, e ficará gravada para a Pátria immorredoira gloria, e para V. Ex.ª renome e gratidão do Paiz. Deos G. a V. Ex.ª Paço da C.ª M.al da Ci.de Baependy em Sessão extraordinária de 12 de junho de 1869. Exmo.Señr. Duque de Caxia – O Presidente Felício Germano de Ol.ª Mafra Viotti, José Silvério da Luz – Joaquim Ignácio de Mello e Souza". "Junho 12 – Ao Conselheiro Francisco de Paula Negreiros Saião Lobato. "I11.mo Exm.º Senr. A Câmara Municipal da Cidade de Baependy, em Sessão de 12 do corrente mês, resoveo por unanimidade de seus menbros, felicitar ao Exm.º Senr. Duque de Caxias, pela sua incomparável abnegação patriótica e grandes feitos na ingente Campanha do Paraguay. Esta Câmara tendo em vista a alta posição do Exm.º Duque, tomou a liberdade de escolher a V. Exa. para fazer parte da comissão que tem em nome da mesma Câmara de apresentar a felicitação que dirige a
o M.mo Exm.º Duque de Caxias; e certa de benevolência de que foi V. Ex.ª escolhido pela Câmara e tão bem os Exm.º Senr. Conselheiro Dr. Luiz Carlos da Fonseca e Dr. Joaquim Delfino Ribeiro da Luz. Esta Câmara certa de merecer de V. Ex.ª esta graça, se confessa desde já agradecida, e junto achará V. Ex.ª a felicitação respectiva. Deos G. a V. Ex.ª Paço a C. M.ª da Cidade de Baependy, em sessão extraordinária de 12 de junho de 1869. Ilmo. Exm.º Sem. Conselheiro e Senador do Império Dr. Francisco de Paula Negreiros Saião Lobato. O Presidente da C.ª Felício Germano do Oliveira Mafra – Flavio Antonio de Paiva Jr. – Domingos Rodrigues Viotti, Joaquim Ignácio de Mello e Souza, José Silvério da Luz. Officios mais ou menos como no último com pequenas e nescessárias modificações na mesma data foram enviados ao conselheiro Dr. Luiz Carlos da Fonseca e ao Dr. Joaquim Delfino Ribeiro da Luz. Dissemos já que Baependi nunca se esquecera de Caxias. De fato conhecida a notícia de sua morte, informava O Baependyano, de 20 de junho de 1880: "Duque de Caxias – A Câmara Municipal desta cidade nomeou uma comissão composta dos Srs. Dr. Antonio Álvares de Abreu e Silva e Conselheiro Joaquim Delfino Ribeiro da Luz para dar pêzames a família do grande cidadão cuja perda o paiz há de sempre deplorar , o Duque de Caxias." A mesma folha baependiana, de 16 de maio do citado ano, a propósito do passamento do egréguio brasileiro, assim fechou a notícia de sua redação: "Isto posto e antes de dar a palavra aos collegas, e a seu exemplo, deporemos sobre o tumulo do grande cidadão de uma coroa de saudades, em sincera homenagem d'estima, respeito e reconhecimento aquele que tanto fez por seu país natal, chegando a sacrificar, para servi-lo, o conforto, a doce convivência com os seus por vez, e, enfim, até a saudade e a vida."