O Peixinho

História do Peixinho

Antigos cristinenses contam que a fonte do "Peixinho" foi construída no início do século, quando o então prefeito Dr. Fausto Dias Ferraz trazendo para cá os restos mortais de seu irmão, Dr. Silvestre Dias Ferraz Júnior, em 1908, embelezou a praça mandando construir o pedestal do monumento do Leão e uma fonte.Possivelmente o monumento do Peixinho foi o último a ser construído, somente a partir do segundo semestre de 1909, pois a Lei Municipal Nº 53, de 20 de janeiro de 1909, "Que regulamenta a manutenção e conservação do Jardim Público, na Av. Santo Antônio" não cita a fonte do Peixinho. ART. IV – Para conservação do jardim, é expressamente proibido :§ VII – Danificar de qualquer modo, todo e qualquer ornamento do jardim, como os pedestais e grades da herma, o leão e os muros que assentam as grades,iscando com tinta ou carvão".

A fonte é de autoria do artista português Francisco da Silva Reis (Chico Cascateiro) que embelezou praças de diversas cidades da região, com por exemplo nas cidades de Caxambu, Passa Quatro e Carmo de Minas, com seu inconfundível trabalho em estuque.Uma grande bacia circunda a fonte. Esta é usada para a criação de peixes ornamentais. Daí o nome carinhoso como o monumento é conhecido pelos cristinenses: "Peixinho".Na parte superior, existem duas esculturas: um menininho pelado que fica constantemente fazendo xixi e um pato selvagem, ali colocados na gestão do prefeito Dr. Ibrahim Pinto da Fonseca, década de 50.Na década de 70, durante a gestão do Prefeito Benedito Teixeira de Carvalho, a Praça Santo Antônio passou por reforma geral. Durante as obras, a bacia da fonte do Peixinho foi retirada e trocada por uma outra revestida por azulejos, descaracterizando-a. Foi retirado o cercado de grossos troncos caídos, com cipós entrelaçados feitos de argamassa Em outras gestões, mais atuais, a gruta foi pintada por diversas vezes, o que encobriu a característica natural da obra do artista construtor.Nos anos 2001 e 2002 o Conselho de Proteção ao Patrimônio revitalizou a Praça devido ao seu estado de degradação de pisos e canteiros. Foi contratado uma restauradora, Cristiana Cavaterra, que ficou responsável pela restauração dos monumentos culturais ali existentes. Com o restauro concluído em agosto de 2002, o monumento do "Peixinho" readquiriu sua integridade estético-formal e físico-construtiva com todos os elementos físicos e estruturais desempenhando suas funções.
Contextualização

Monumento do início do Século XX que marca o início de novas técnicas construtivas no município, caracterizado por argamassa de cimento, crina de cavalo, palha moída e óleo de baleia como aglutinantes.No final da década de 50, na gestão do prefeito Dr. Ibraim Pinto da Fonseca foi colocado na parte superior do monumento uma estátua representando um moleque pelado fazendo xixi, o que causou uma grande polêmica na época. Também, no mesmo período, foi colocado ao lado do moleque uma escultura de um pato selvagem.No início da década de 70, especificamente na gestão do prefeito Benedito Teixeira de Carvalho, a Praça Santo Antônio (onde está localiado o "Peixinho") sofreu reforma quase que total, descaracterizando-a.Esta reforma foi feita devido ao pensamento da época levado pelo movimento modernista, onde o que era antigo era ultrapassado e velho. Em outras gestões, mais atuais, a gruta foi pintada por diversas vezes, o que encobriu a característica natural da obra do artista construtor. Mas com a atuação do Conselho Municipal de Proteção ao Patrimônio Cultural de Cristina, preocupados com a preservação da cultura local e valorizando a história cristinense, nos anos 2001 e 2002 o monumento passou por uma revitalização geral readquirindo sua integridade estético-formal e físico-construtiva.Em outras décadas e também atualmente, o Peixinho serve como ponto de visitação para os cristinenses e turistas que ficam encantados com a sua beleza. No local são tiradas muitas fotografias como recordação de Cristina.


Descrição Detalhada

Monumento imponente em estilo art- nouveau, destaca-se na paisagem devido a sua volumetria.A escultura tem o formato de uma gruta que está pousada em um espelho d'água circular protegido por troncos em argamassa estrutural em todo o perímetro. No espelho existempeixes decorativos de aquário, mais precisamente carpas, que sempre foram colocados ali, surgindo dai a denominação "Peixinho".No volume encontramos nichos que abrigam diferentes espécies de plantas. No alto da escultura um garoto também de argamassa estrutural faz xixi constantemente, proporcionando um caráter lúdico ao monumento. Para finalizar o volume, troncos dispostos em "X" definem o partido piramidal, onde no ápice um pato selvagem está pousado. Do centro da escultura saem jatos de água que escoam por caminhos estratégicos até atingirem o espelho d'água. Este processo mantém o monumento sempre alegre, reforçando o caráter lúdico.O monumento se encontra no centro da praça em terreno plano, sem construções adjacentes, e abraçado por canteiros semi-esféricos.Não tem nenhum bloqueio visual. Recebe luminosidade constante todas as horas do dia.Dimensões da grutaDiâmetro: 3,00mAltura: 4,50mDimensões da baciaDiâmetro: 6,50mAltura: 0,50m

A bacia atual do monumento é obra do artista cristinense Paulo Osmar de Oliveira. A restauração da antiga fonte foi realizada pela restauradora Cristiana Antunes Cavaterra, que contou com a ajuda de seu pai e de Olívio Vieira Júnior (conhecido como Alemão).
Processo construtivo é em argamassa estrutural estrategicamente elaborado com perfeitadistribuição de forças em 03 vetores verticais, o que proporciona os vãos internos e visão contínua
De partido piramidal o monumento é de grande efeito estético devido ao seu equilíbrio de formas, vãos e texturas. Não possue acréscimos mantendo a sua integridade formal.

Diretrizes de intervenção

Desde a construção da fonte do "Peixinho" no início do século XX, nenhuma medida direcionada a preservação original do monumento foi adotada. Devido a este agravante a fonte passou por várias descaracterizações: 04 pinturas com tinta-esmalte e a retirada de sua bacia original, prejudicando as características peculiares desenvolvidas por Chico Cascateiro.Somente após a reativação do Conselho Municipal de Proteção ao Patrimônio Cultural de Cristina em 2000 é que o trabalho de preservação começou a ser realizado em Cristina através da adoção de uma política cultural.No ano de 2002 o Conselho Municipal de Patrimônio decidiu aplicar o recurso de ICMS cultural na revitalização da Praça Santo Antônio, devido ao estado de degradação dos pisos e canteiros e também dos patrimônios históricos ali existentes.Afim de se estudar o melhor processo para restaurar os monumentos acima citados, a Secretaria Municipal de Turismo, Cultura e Meio Ambiente, órgão que trabalha diretamente com o Conselho Municipal de Patrimônio, trouxe em Cristina profissionais da Fundação de Artes de Ouro Preto (FAOP) para fazer pré-análise das peças e propor um orçamento para a realização do trabalho. A Secretaria também entrou em contato com uma outra profissional, a restauradora Cristiana Antunes Cavaterra que também fez a pré-análise e sua proposta para o trabalho. O Executivo decidiu que a restauradora Cristiana, iria desenvolver a revitalização deste monumentos, devido ao alto custo pedido pela FAOP.


Restauração do Peixinho

A Princípio, a intenção era retirar as quatro camadas de tinta-esmalte que havia se acumulado devido as diversas repinturas que o monumento sofreu durante décadas. Através de prospecções constatou-se que a argamassa da escultura estava se decompondo e que o desejo de deixar a escultura com a argamassa original seria impossível porque as texturas da argamassa não estavam resistentes. Optou-se, então, revestir a escultura com uma pátina representando o mais fiel possível a cor original do monumento. Escolheu-se, então, uma tinta sintética fosca na cor creme com matizes de marrom, verde, laranja e amarelo, representando o envelhecimento da obra. A restauradora contou com a ajuda de seu pai e de Olívio Vieira Júnior (conhecido como Alemão.Também, através de pesquisa, decidiu-se reverter o desenho da bacia original.A bacia que aparentava uma piscina de azulejos, foi substituída por um espelho d'água circundado por troncos de cimento, voltando a sua estética original, o que ficou comprovado por fotos antigas do monumento. O Projeto da bacia e do entorno foi desenvolvido pelo arquiteto do Conselho, Francisco José Gorgulho Silva, e executado pelo artista cristinense Paulo Osmar de Oliveira. O material utilizado na adequação da bacia e troncos foi a técnica de argamassa estrutural de cimento e ferro.Para compor o entorno da escultura, o aquiteto-urbanista do Conselho desenvolveu o projeto para a confecção de bancos semelhantes aos antigos existentes na praça, que imitavam troncos de árvores, também obra de Chico Cascateiro. A execução desta obra também foi feita por Paulo Osmar de Oliveira.Atualmente a obra é limpa pelo jardineiro da Prefeitura e encontra-se no tempo, sujeito a sujidades provenientes de intempéries e poluição do ar, mas isso não interfere na linguagem da obra que após ter sido revitalizada está ficando mais próxima a original, justamente pela técnica de restauração escolhida.