Museu do Trem e Locomotiva

Histórico

A criação do Museu do Trem e a aquisição da Locomotiva n°423 envolveram diversas personalidades de Cristina. Foram vários anos de dedicação para, enfim, conseguir uma forma de resgatar e preservar a memória da Estrada de Ferro Sapucaí, tão importante ao município.

Tudo começou com uma homenagem ao João Batista Teixeira (Sr. Jujú) – conterrâneo, filho ilustre e Ex.-superintendente da Rede Ferroviária – aqui em Cristina. Na festa, cogitou-se que seria de grande valia se a cidade possuísse uma locomotiva e um vagão como atrativo turístico. Então, o superintendente da Rede na época, Helimar Levi Rizzi, disse que seria possível e que em Três Corações havia três locomotivas em um galpão e que poderíamos adquirir uma máquina. Contudo, não seria fácil porque a Rede estava sendo privatizada e seria fundamental agilizar rápido uma negociação.

Na gestão do prefeito José Carlos Filho foi encaminhado ao superintendente Regional da RFFSA em Belo Horizonte, Sérgio Augusto Messeder de Castro, o pedido (assinado por vários cristinenses) para a doação de uma locomotiva, que seria colocada em um local de destaque, próxima a antiga Estação Ferroviária. O pedido foi enviado por José dos Reis Ferraz ao ministro Aureliano Chaves, para que este encaminhasse ao superintendente da Rede e reforçasse o pedido.

Depois de muita luta, a máquina foi cedida a Cristina. A doação foi feita através de um convênio 31/96 entre a Prefeitura e RFFSA, que mantém o Programa Ferroviário de Ação Cultural (Profac) com a finalidade de não deixar morrer a história e o patrimônio da Rede. É importante ressaltar que a Locomotiva a Vapor é um patrimônio Federal, e a cidade de Cristina abriga um tesouro do Brasil.
Transporte

Antes de trazê-la para Cristina houve uma grande manobra para retirar a locomotiva de seu galpão. Durante uma semana, o Ex. chefe da Estação de Cristina, no período de 1971 a 82, Jarba de Paiva e o funcionário da prefeitura Salomão Odilon Ferreira ficaram em Três Corações preparando a máquina para seu transporte. Jarba fez um levantamento das peças que estavam faltando, que posteriormente foram trazidas de Três Corações, São João Del Rei e Engenheiro Behing.

A máquina chegou a Cristina cheia de histórias e pousou em frente ao Poliesportivo. Aqui, passou por limpeza e pintura para a sua melhor conservação. Foi nesta época que começou a cogitar a idéia de construir um galpão para abrigá-la.

A Prefeitura agarrou a idéia e solicitou uma verba para a tal construção ao governo Federal, que fez uma ressalva: ajudaria financeiramente, mas o local teria que se caracterizar em um museu.

O projeto arquitetônico, feito pelo arquiteto Francisco José Gorgulho Silva, passou por vários estudos até a sua configuração atual e a aprovação pelo Ministério da Cultura, em Brasília. Com os recursos do Ministério e a ajuda da Prefeitura ergueu-se o prédio do Museu do Trem. Participaram também das obras os engenheiros civis Rosamaria Rezek Alves Ribeiro e Willian Negreiros Junqueira e o engenheiro elétrico Eduardo Vilela Martins.

A construção do Museu teve início em setembro de 1997, na gestão do prefeito João Dionísio Chaves. O término das obras se deu em 18 de setembro de 1998. O Museu do Trem foi inaugurado com festa no dia 19 de setembro, com a benção do padre Luiz Henrique e apresentação de grupos de dança e jogral. A faixa inaugural foi cortada pelo prefeito João Dionísio Chaves e pelo deputado Olavo Bilac Pinto. Estiveram presente ao evento ilustres personalidades e a população de Cristina em geral.

Salão de exposições —————————– 83,00 m2

Alojamento da Locomotiva ——————- 108,00 m2

Hall de entrada ———————————— 54,00 m2

Sanitários ——————————————- 10,26 m2

Jardim ———————————————– 28,16 m2

Área útil = 283,42 m2

Área construída = 294,00 m2
Partido

Procurou- se implantar o projeto na praça de maneira a integrar o partido com as edificações existentes. Assim, decidiu-se um telhado de duas águas, prismático com telha cerâmica seguindo o estilo da antiga Estação Ferroviária de Cristina (atual Rodoviária), que segue o padrão de partido de toda a Rede Sul Mineira do início do século XX, em linguagem neoclássica.

As paredes externas tem tijolo maciço aparente e em cutelo fazendo moldura nos vãos de ventilação e iluminação, com pé direito interno igual a 4,60 m similar ao da Estação. Fazendo tal procedimento, o objeto integrou na paisagem transformado a praça em um grande atrativo turístico.
Locomotiva nº 423

A Locomotiva nº 423, tipo "Consolidation" fabricada em 1912 pela Boldwin, faz parte de um lote de seis locomotivas que pertenciam a antiga Rede de Viação Sul Mineira e circulava nas linhas de Três Corações, Itajubá, Soledade, Varginha, Machado, etc. Em 1931, quando da criação da Rede Mineira de Viação, as seis locomotivas foram incorporadas ao parque da recém-formada RMV que encampou toda a Rede Sul Mineira, parte da E. F. de Goyaz e outras ferrovias de menos importância. Na redestribuição das locomotivas para os depósitos, as seis locomotivas foram para Ibiá, da antiga E. F. Goyaz, e receberam os nº 418 a 423.

Prestaram muito serviço no transporte de cargas pesadas de produtos agrícolas como o arroz e o milho nas linhas de Goiandeira, Monte Carmelo, Ibiá e Garças de Minas; e também o transporte de gado para os grandes centros consumidores. Para este tipo de transporte eram as preferidas, dado a sua excelente capacidade de tração, equilíbrio e aderência nos trilhos. Raramente atrasava, e quando isto acontecia justificava-se com outras causas e nunca com o problema mecânico. Resistentes e fortes, trabalhavam ininterruptamente sem nunca se avariarem. Excelente tipo de máquina que tanto fez e acabou perdendo o seu lugar para as máquinas modernas movidas a diesel. Uma pena.
Montagem e Restauração da Locomotiva em Cristina

O pedido para a restauração da Locomotiva a vapor nº 423 foi feito em outubro de 1996 pelo, então, prefeito municipal José Carlos Filho e por Daltro Noronha Barros. Vieram faltando muitas peças de mecanismos (que ligam uma roda a outra), torneiras de vapor, compressor de ar, entre outras, que posteriormente foram cedidas pelas oficinas de São João Del-Rei e Três Corações. Por não serem da mesma locomotiva, a equipe que trabalhou na montagem teve que fazer uma série de adaptações nas peças. As grandes – que não encaixavam – foram cortadas, outras foram confeccionadas. A locomotiva não funciona devido as adaptações que foram feias, mas aparentemente está perfeita. O trabalho de montagem foi iniciado em janeiro de 1997 e durou dois meses até o seu término.

Depois, a locomotiva passou por uma pintura e atualmente está devidamente guardada no pátio do Museu do Trem.

Equipe responsável na montagem da Locomotiva:

1. Francisco Marques Sobrinho (Supervisor de mecânica, Ex. Chefe da Oficinas da RFFSA/SJDR)

2. Luciano Manoel Marques (Mecânico ajustador)

3. Osmar Mauro de Carvalho (Mecânico ajustador, Ex. Ferroviário)

4. Euler Cristovão Rezende (Mecânico ferroviário)

5. Hugo Caramuru (Letrista)

6. José Maria (Lanterneiro da cidade de Cristina)

7. Ana Cristina de Fátima Marques (Técnica administrativa)

A locomotiva possui:

1 jogo de guia (incompleto)

1 farol (completo)

2 cilindros de freio à vácuo

1 cilindro de freio de tender

1 capitel ( foi feito em Cristina)

1 dínamo

Lira (suporte para sino)

I apito americano

2 válvulas de regulagem de caldeira

1 tampa com aro da fornalha

1 injetor (incompleto)

1 visor de água

1 alavanca do regulador

1 manômetro de pressão

1 manômetro de freio

6 braços de junção (foram emendadas)

3 torneiras de prova (controla o nível de água)

2 hastes de cilindro

4 tramelas de tampa da frente (caixa de fumaça)

1 torneira de água do tender

1 manômetro de pressão

1 barra de regulador com suporte

8 bronzes para junção das brassagem (não é o dela)

2 bronzes para junção para puchavante

2 válvulas de segurança

1 bomba de ar

2 macacos (fica na frente da locomotiva)

1 aparelho de lubrificação de cilindro