Histórico do Poder Executivo de 1950-1970

João Teixeira Pinto 25/12/1947 /1950

João Teixeira Pinto era filho de Faustino Teixeira Pinto e Maria José da Costa, nasceu em Pouso Alegre em 15 de agosto de 1895 e faleceu em Belo horizonte em 3 de março de 1973.

Veio para Cristina muito jovem e fez dela a sua verdadeira terra natal, dedicando-lhe um grande e permanente afeto.

Não teve oportunidade de estudar, mas a leitura diária dos jornais, o seu espírito de observação, equilíbrio e ponderação fizeram dele um homem bastante consciente dos problemas do Brasil. Dedicou um grande interesse pessoal, mas pelo contrário, fazendo pelo bem público muito mais do que normalmente possível àquela época.

Casado com Maria Ondina Carvalho Teixeira, filha do farmacêutico Pedro José de Souza Carvalho e de Maria Cândida de Toledo Carvalho constituiu um lar inteira e totalmente dedicado aos cinco filhos, dando-lhes, com sua esposa, educação e muito carinho. Arrostando as dificuldades, cuidou deles com muito zelo, proporcionando-lhes completa instrução.

Desde muito cedo começou a trabalhar, tendo sido fazendeiro no início da vida. Depois, comerciante e industrial, constituiu com seu primo e cunhado Antônio Cândido Toledo, o Tonico Barcelos, um complexo empresarial bastante avançado para a época e para as possibilidades do município, com indústrias de manteiga, banha, caseína, canjica e vários produtos derivados de suínos. Foi a vida toda contribuinte dos cofres municipais, estaduais e federais, gerando empregos diretos e indiretos, participando ativamente do desenvolvimento da vida econômica cristinense.

Desde logo se transformou em um pioneiro em financiamentos, para os pequenos, médios e até grandes lavradores, sem cobrança de juros e sem ágio, realizando, de fato, uma constante e permanente operação mais franciscana do que comercial. Por isso mesmo não deixou fortuna material, mas legado moral de incomensurável valor.

Acreditava nos seus semelhantes e ajudou, ajudou muito, sempre que podia, e mesmo além do que podia.

Na sua juventude participou ativamente da vida social da cidade, sendo um dos sócios fundadores do "Clube Literário e Recreativo Cristinense".

Eleito Prefeito nos fins de 1947, em uma eleição memorável, em momento significativo da história da democracia brasileira, dedicou-se totalmente à administração da Prefeitura, mesmo com prejuízo para seus negócios particulares. Passou os três anos de mandato não como Prefeito de gabinete, mas percorrendo as estradas, palmilhando os bairros, olhando a cidade, vendo, provendo, fazendo, em incansável labuta, característica dos idealistas.

Realizações e obras de seu governo:

- A velha usina hidrelétrica da cidade cumprira seu ciclo. A luz quase se apagava e ele conseguiu reacende-la, enfrentando uma grande luta e tremendos esforços. Cristina como que readquiriu vida nova.

- À época de sua administração os municípios não contavam com os recursos de hoje, pois eram parcos os dinheiros municipais, mas mesmo assim, fez quase o impossível, revolucionando os métodos de governar. Cuidou permanentemente das estradas vicinais, das pontes, abriu e aparelhou diversas escolas rurais.

- Retificou o curso do Rio Lambari, enfrentando dificuldades de toda ordem e conseguindo, assim, acabar com as enchentes que traziam anualmente prejuízos e transtornos. Isto possibilitou que as férteis várzeas do município se transformassem em área propícia à produção de arroz e de outros cereais, sendo também pioneiro neste setor.

- Deu ajuda inicial à criação do "Ginásio de Cristina", possibilitando o início de seu funcionamento.

- Cuidou, com muito empenho, do então distrito de Olímpio Noronha, onde em sua eleição, não teve votos. Posteriormente teve reconhecido seu trabalho a acabou apoiado pelos dirigentes e habitantes do local.

- Reformulou os serviços burocráticos e administrativos da Prefeitura, procurando, dentre outras medidas de significação social, promover uma justa e equânime revisão da política tributária do município, principalmente do Imposto Territorial Rural.

- Contribuiu para a reabertura da "Santa Casa de Misericórdia", então quase desativada.

- Apresentou importantes projetos à Câmara Municipal, como o que dava enfoque e tratamento diferente ao sistema de abastecimento de água potável para a cidade, que possibilitaria sua captação e distribuição segundo métodos modernos. Mas nem sempre logrou aprovação em suas proposições, por motivos mais políticos do que qualquer outra natureza e que, com sua sensibilidade, sempre soube respeitar.

Mesmo com poucos recursos e sem maioria na Câmara Municipal, conseguiu, com a solidária, incansável e patriótica ajuda dos seus companheiros e correligionários, deixar bem marcada a sua passagem pela administração municipal.

Governou Cristina modesta e democraticamente. Marcaram indelevelmente a sua personalidade a honestidade, a bondade e a simplicidade.

Foi acima de tudo, um pai extremoso, marido dedicado e cidadão exemplar. (Texto de Luis Teixeira e José Teixeira).

Conforme o livro de Registro de Leis Municipais nº 1 as realizações de João Teixeira Pinto foram as seguintes:

- Construção da Escola Municipal da Fazendinha dos Alpes – Lei nº 13, de 4 de julho de 1948 e criação de escolas rurais mistas no Pinhal, São Domingos, Sete de Abril, Pedra, Água Limpa, Desprósito, Córrego das Pedras, Paciência, Lambari, Glória , Pitangal e Cachoeirinha, em 1949.

- Lei nº 17 – de 30 de julho de 1948 – instituição de uma feira livre para venda de gêneros de primeira necessidade, tais como toucinho, carnes, ovos, legumes em geral, hortaliças e demais produtos agrícolas do município, funcionando das 7 às 17 horas, na praça do Chafariz, isento de qualquer imposto ou taxa municipal.

- Retificação dos rios que banham o município – Lei nº 18 de 14 de agosto de 1948.

- Lei nº 27 de 16 de setembro de 1948, abrindo crédito especial em favor da Corporação Musical Sagrado Coração de Jesus.

- Pela Lei 33 de 7 de abril de 1945 autorizou a contratar o fornecimento de energia elétrica ao município com um prazo de concessão de 25 anos.

- Conforme as leis 78 e 79, melhorou o calçamento de ruas e o abastecimento da água.

- Pela lei 87, de 1 de julho de 1950, mudou o nome de algumas ruas, dando-lhes a denominação que conservam até hoje: Rua Cel Albertino Ferraz, no Campo do Rosário; Rua Dr. José Junqueira; Rua Conselheiro Joaquim Delfino; Rua Aires de Azevedo; Rua Aureliano Ribeiro; Rua João Fonseca.

Dr. Ibrahim Pinto da Fonseca 1951 / 1954

Ibrahim Pinto da Fonseca nasceu em Cristina no primeiro dia do mês de fevereiro de 1906, sendo um dos quatro filhos do Capitão Godofredo Pinto da Fonseca e de sua mulher Ernestina de Castro Fonseca.

Seu pai era um próspero comerciante no município, além de chefe político de prestígio, chegando a permanecer no cargo de Presidente da Câmara (hoje equivalente ao de Prefeito Municipal), por quatro anos seguidos, que correspondem a 16 anos.

O filho iniciou seus estudos no Grupo Escolar Carneiro de Rezende, onde fez o curso primário entre os anos de 1913/1917. Depois, deu continuidade a eles em Santa Rita do Sapucaí, diplomando-se no ano de 1922.

Após um período de indefinição sobre seu futuro profissional, optou por seguir a carreira médica. E assim, ingressou na Faculdade de Medicina de Salvador, na Bahia, onde se formou em 1932.

Retornou à sua terra natal, e aqui montou seu consultório, ao qual dedicou toda a sua vida. Sem visar a medicina como uma mera fonte de renda, trabalhou com afinco em prol da população local, especialmente dos menos favorecidos. Em pouco tempo, tornou-se conhecido até em cidades vizinhas, como o "Médico dos pobres". Era comum atender a seus clientes, sem receber pagamento pelas consultas. Ou, quando muito recebe-los em gêneros alimentícios. Quem podia pagar, pagava. Quem não podia era atendido com o mesmo zelo e a mesma dedicação, a qualquer hora do dia e da noite, em qualquer lugar.

Tornou-se uma das mais populares figuras cristinenses, o que acabou conduzindo-o, a exemplo de seu pai, à política. Foi eleito primeiramente Vereador e depois Prefeito Municipal, entre os anos de 1951/1954.

Durante esse mandato, trabalhou muito também pelas classes pobres. Já estava casado desde 1934 com Cordélia Maria Arantes, natural de Roseira (SP), com quem teve um casal de filhos: Maria Aparecida e Ivan. Continuou clinicando, após deixar a chefia do Executivo, e, foi, talvez o único cristinense que viu uma rua sendo batizada com seu nome, estando ainda vivo.

Isto ocorreu em junho de 1960. Pouco tempo depois, um problema de visão começou limitar sua atuação. Ainda assim, até quando pôde, exerceu a medicina, pois seus clientes nunca deixaram de depositar nele sua confiança. Este espírito desligado dos bens materiais. Fez com que chegasse à velhice sem constituir patrimônio maior do que a própria casa onde residia.

Acabou falecendo em 31 de outubro de 1977, aos 71 anos, na terra onde nasceu e à qual dedicou-se inteiramente, por toda a vida.

Obras e realizações de sua gestão

- Calçamento e inauguração da rua Ibrahim Pinto da Fonseca

- Pela lei nº 115 de 12 de fevereiro de 1951 firmou contrato para a adaptação de prédios e construção do prédio para instalação do Ginásio de Cristina, feito em terrenos da Prefeitura Municipal, doados pelo Estado, sem a escritura, situado à rua Dr. Silvestre Ferraz. A direção da referida escola foi dada ao Dr. Maurício Leite Toledo, por tempo indeterminado. (Livro de Registro de Leis nº 1 – páginas 60 e 61).

- Criação das escolas rurais: Escola Rural da Pedra (Lei 120), Escola Rural do Lambari (Lei 145), desapropriação de um terreno de propriedade do Patrimônio Paroquial de Cristina, situado no bairro da Barra Grande para nele ser construída uma escola (Lei 152), Escola Rural de Santa'Ana, escola rural do Córrego Frio.

- Pela Lei nº 177 obriga a todos os proprietários de prédios ou terrenos situados no perímetro urbano a construir e reconstruir os passeios no prazo máximo de 6 meses a contar da data da respectiva notificação que será afixada em lugares públicos e no saguão da Prefeitura.

- Pela Lei 178, revogou a Lei nº 23 de setembro de 1948 que criou o imposto de muros, cercas e terrenos baldios.

- Pela Leinº 210 abre crédito suplementar destinado a aquisição de um terreno para ser doado ao Clube União Operária, para construir sua sede.

- Ficou também conhecido, segundo informações de antigos moradores, por ter mandado construir o célebre "Manequinho", estátua de um menino fazendo xixi e um marreco, colocando-as no monumento do Peixinho.

Cornélio Alves Ribeiro 1954 / 1959

João José de Souza 1959 / 1963

Nascido em Cristina a 16 de agosto de 1901 era filho da Senhora Jesuína dos Reis e seu esposo. Casado com a Senhora Benedita Clemente de Souza, não tiveram filhos, mas adotaram como filha Cleuza da Silva Carvalho.

Iniciou sua vida profissional na área da agropecuária, dedicando-se à criação de gado leiteiro e suíno. Como bom filho cristinense não se contentou com seu próprio crescimento, ingressou na política dando sua colaboração e apoio ao desenvolvimento do município.

Foi vereador durante 20 anos, e conforme consta na documentação datada de 2 de dezembro de 1947 foi eleito nas eleições realizadas em 23 de novembro de 1947 com 115 votos, pela UDN (União Democrática Nacional). Foi candidato a vice prefeito na chapa do Sr. Sebastião Alves Pereira.

Como Prefeito sobressai-se na administração no quadriênio de 1959/1962, obtendo 909 votos conforme a documentação datada de 31 de outubro de 1958. Durante seu mandato foi destaque na Revista Manchete, que publicou uma matéria exaltando sua admirável capacidade de chefiar e ao mesmo tempo "colocar a mão na massa", chegando a pegar no trabalho pesado junto aos funcionários, como mostra a foto desta revista, ajudando a calçar a Rua Visconde do Rio Branco.

Conta-se que muitas vezes, com dinheiro de seu próprio bolso ajudou a quitar dívidas da Prefeitura. Amigo do Deputado Euclides Cintra conseguiu junto a ele vários recursos para o município.

Trouxe para Cristina o médico Dr. Nestor de Luca, que até hoje reside nesta cidade e que muito contribui para o bem estar social da população. João José de Souza faleceu no dia 22 de dezembro de 1990.

Obras e realizações de sua gestão

- Calçamento da Rua Visconde do Rio Branco

- Construção da Escola rural do Bairro da Beleza, que hoje tem seu nome.

- Compra do Sr Wilheken Keller, ex diretor da do Ginásio de Cristina, os seguintes bens: Títulos, móveis, utensílios, etc, pertencentes ao Ginásio e à Escola de Comércio Brasil América.

- Alargamento da rua Olegário Maciel, devido ao grande movimento principalmente Às 6ªs e sábados.(Lei 309 de 3 de maio de 1959)

- Pela lei 321 de 19 de julho de 1959 cria o Brasão do Município de Cristina, "de acordo com a mensagem do Sr. Prefeito enviada à Câmara Municipal, que oficializa o desenho do Sr. Professor João Honorato Ferreira".

- Criou feriado municipal no dia 20 de janeiro de cada ano, pela lei 384 de 24 de janeiro de 1962, considerando que se comemora nesse dia o aniversário da instalação deste município, " conforme ata lavrada em livro próprio, existente no arquivo da Prefeitura desta cidade, provando a desanexação deste município do de Baependi. Considerando a criação dessa lei uma significativa homenagem póstuma prestada aos vereadores que na memorável reunião feita nesta cidade, no dia 20 de janeiro de 1852, receberam das mãos do Presidente da Câmara de Baependi as rédeas do governo desta comarca mineira, os quais foram: João Carneiro Santiago,Antônio Dias Ferraz, José Felipe dos Santos, Joaquim Machado de Abreu, João Batista Pinto, Antônio Pereira da Fonseca Júnior, Francisco Antônio da Luz."

- Concedeu título de cidadão cristinense ao Revmo. Cônego Artêmio Schiavon, pela lei 392 de 18 de abril de 1962.

- Criou nomes para os seguintes prédios escolares da zona rural: no bairro da Colônia – E.M Conselheiro Joaquim Delfino; na Barra Grande – E.M Deputado Milton Reis; no Lambari – E.M. Deputado Euclides Pereira Cintra.

Dr. Gabriel Ribeiro Ferraz 01/02/1963 / 30/05/1963

Gabriel Ribeiro Ferraz nasceu em 25 de julho de 1895, na Fazenda Três Barras, que naquela época fazia parte do município de Cristina e hoje pertence a Carmo de Minas, posteriormente desmembrado do primeiro.

Seus pais eram o Cel. Albertino Dias Ferraz e Gabriela Clara Ribeiro Junqueira Ferraz, um dos casamentos que marcariam a união entre duas das mais importantes famílias da região.

Deste casamento, além de Gabriel, nasceram mais seis filhos. Após os primeiros estudos, feitos em colégios internos, como o costume da época, optou por seguir a carreira jurídica.

Ingressou na Faculdade de Direito de Belo Horizonte, diplomando-se em 1917. Foi na capital mineira que conheceu sua futura esposa, Alda Ferreira Lopes, com quem se casou em 14 de dezembro de 1918, nascendo daí os três filhos: Margarida, Lucila e Cássio.

Retornando ao Sul de Minas, seu primeiro foi o de Delegado de Polícia de Caxambu. Em 1931, recebeu a nomeação para Promotor Público de Cristina, posição esta que ocupou por 30 anos ininterruptos.

Todos estes anos de trabalho garantiram-lhe o respeito e a admiração, não apenas no meio jurídico, mas também do toda a população. "Dr. Bié", como sempre foi conhecido, paralelamente a suas funções na Promotoria, nunca deixou de lado a tradição que sempre caracterizou sua família.

Era também fazendeiro, proprietário da Fazenda Sete de Abril, neste município. Sua capacidade de oratória garantiu-lhe a posição de orador oficial de Cristina, em todas as mais importantes solenidades.

Antes de aposentar-se, em 1961, foi transferido para a Comarca de Andrelândia, onde apenas tomou posse no devido cargo, exonerando-se em seguida. A aposentadoria foi cercada de inúmeras homenagens, em reconhecimento ao seu trabalho.

Sua grande popularidade fez com que se candidatasse ao Governo Municipal, saindo vitorioso nas eleições de 1962. Exerceu o mandato de Prefeito, entretanto, somente por alguns meses, até maio de 1963, tendo que se afastar do cargo para um longo tratamento de saúde.

Acabou falecendo em 28 de novembro de 1964, aos 69 anos de idade. Foi sepultado na terra natal, onde sempre viveu, acompanhado por uma imensa multidão.

- Instituiu com caráter obrigatório o combata à saúva e outros insetos prejudiciais à lavoura, pela lei 410 de 21 de março de 1963;

- Criou escola Municipal de Música denominada Escola de Música Pedro Canela de Oliveira, pela lei 412 de 21 de março de 1963.

Pedro Paulo de Rezende (Vice do Dr. Gabriel Ribeiro Ferraz que assumiu) -1963 / 1967

Pedro Paulo de Rezende, o "Seu Pedrinho da Farmácia", como era conhecido, nasceu em Cristina em 29 de junho de 1907. Seus pais, o Capitão Joaquim Carneiro de Rezende ("Seu Quincas") e América Barbosa de Rezende ("D. Memeca"), eram descendentes de algumas das primeiras famílias que habitaram a região.

Casados tiveram 13 filhos. Pedro fez seus primeiros estudos no Grupo Escolar Carneiro de Rezende, assim denominado em homenagem a seu tio pelo lado paterno, o Deputado José Carneiro de Rezende.

Deu continuidade à sua formação escolar em Santa Rita do Sapucaí, onde fez o ginásio. Optou por seguir a carreira de farmacêutico, ingressando na Faculdade de Farmácia e Odontologia de Alfenas, onde se diplomou em março de 1930.

Os cinco primeiros anos de trabalho foram em Maria da Fé, na farmácia de seu tio José Francisco Barbosa. De volta a Cristina, adquiriu a farmácia de João Lourenço de Noronha Luz, batizando-a com o nome de Farmácia São Pedro (Atual Farmácia Santa Edwirges), na esquina da Praça Santo Antônio com a Rua Direita (Atual Governador Valadares).

E, nesse local, dedicou-se ao trabalho por cerca de quarenta anos, sempre marcados por sua habilidade, prontidão, paciência e honestidade no atendimento ao público, em uma época na qual na qual o farmacêutico praticamente tinha que atuar como um médico.

Neste período, a maioria dos medicamentos era manipulada, o que exigia uma responsabilidade ainda maior. "Seu Pedrinho era também uma pessoa muito presente na vida cristinense. Foi Juiz de Paz por muitos anos, Juiz de Direito Substituto, Inspetor Escolar do mesmo Grupo Escolar, Provedor da Casa de Caridade (atual Fundação Hospitalar) e Presidente do Clube Literário e Recreativo Cristinense.

Em 1962, foi escolhido por unanimidade candidato único a Vice-Prefeito, fato raro numa época de acaloradas disputas entre as legendas PSD e da UDN.

Elegeu-se com expressiva votação, mostrando o quanto era popular e querido. Um ano depois, com o afastamento do Prefeito eleito, Dr. Gabriel Ribeiro Ferraz, por motivo de saúde, assumiu a Prefeitura interinamente, e, pouco depois com o falecimento do chefe do executivo, efetivou-se no cargo, permanecendo até 1966.

Deixando o Governo Municipal, retornou às suas atividades na farmácia, até aposentar-se em 1972. Mesmo com idade avançada, chamava a atenção por ser figura sempre presente na vida da comunidade, até falecer em 26 de outubro de 1985.

Era casado com Maria Noêmia da Fonseca Rezende, casamento ocorrido em Aparecida (SP), em 3 de janeiro de 1939, tendo três filhas desta união: Marly, Élia e Wany.

Obras e realizações de sua gestão:

Durante seu mandato foram construídos:

- o prédio do antigo Posto de Saúde

- a Praça do Chafariz

- a ponte de cimento na entrada do Bairro da Barra Grande denominada Ponte dos Barcelar, pela lei 545 de 28 de novembro de 1966.

- Ainda neste período, criou-se o curso de magistério no município, com a Escola Normal Santa Joana D'Arc, causa para a qual muito se empenhou.

- Regulamentação da cobrança de impostos: territorial urbano, predial e rural pela portaria nº321 de 3 de fevereiro de 1964 (Livro de Portarias nº 2)

- Regulamentação do transporte de materiais como madeira e o trânsito de veículos como carros de boi, carroças, carroções nas estradas vicinais do município. (Livro de Portarias nº 2).

- Concedeu título de cidadão cristinense ao Exmo. Sr. Dr. José Magalhães Pinto e ao Dr. Aureliano Chaves de Mendonça, pelas leis 183 e 484.

- Calçamento da parte restante das ruas Cel Batista Pinto (entre a esquina da rua marechal Deodoro da Fonseca e a ponte do Matadouro) e o trecho da rua Olegário Maciel (Entre a via férrea e o portão do estádio de futebol) em 1967.

Cornélio Alves Ribeiro – 1954/1959 1967 / 1971

Nascido em Cristina em, na Fazenda da Água Limpa no dia 15/11/1894, faleceu também em Cristina em 04 /05/1986 com 91 anos de idade, um ano após o falecimento de sua esposa.

Filho do Capitão João Alves Ribeiro Pereira e América Eugênia Junqueira de Andrade Pereira, era o caçula dentre 11 filhos do casal.

Ainda pequeno demonstrava vivo interesse pelo trabalho rural na fazenda de seu pai. Com a morte deste, assumiu os negócios da fazenda e iniciou uma criação de cavalos da raça Mangalarga Marchador, que viria a se tornar uma das mais importantes de Minas Gerais. Além de proprietário de terras e agropecuarista, acabou ingressando na política local. Foi membro do PSD, foi eleito vereador por duas legislaturas, vice-prefeito de 1951 a 1954 e prefeito por duas vezes 1954/1959 e 1967/1971.

Em 1975 casou-se com sua prima Ana Ribeiro Pereira, conhecida por "Nininha". Esta união teve duração de 69 anos e nasceram 7 filhos. Como prefeito realizou obras importantes. Tornou-se figura admirável e respeitada por todos os seus adversários políticos. A municipalidade o homenageou, dando seu nome à avenida que atravessa toda a parte baixa da cidade, pela qual passa um trecho da rodovia Cristina / /Maria da Fé – BR 383.

Amigo íntimo do presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira foi por ele visitado quando era presidente da República na década de 1960, aqui na cidade de Cristina. Em 66 quando estava no exílio em Lisboa, Juscelino escreveu ao Sr. Cornélio um cartão de Natal nos seguintes termos:

"Lisboa, dezembro de 1966.

Caro amigo:

Vejo transcorrer, pela terceira vez, longe da Pátria, o dia Do Natal. Distante do meu país pude sentir a extrema bondade do povo brasileiro que, em todos os momentos do meu longo exílio, nunca me faltou com sua comovente solidariedade.

Impossibilitado de celebrar ao lado dos amigos a grande data, quero enviar-lhe e à sua família a minha mensagem de esperança para um Novo Ano de paz e felicidade. Do amigo de sempre

Juscelino Kubitschek."

Obras e realizações de sua gestão:

Dentre as obras realizadas por Cornélio Alves Ribeiro na cidade citamos:

– Caixa d'água que se localiza na subida do morro do cemitério.

– Ponte sobre o Rio Lambari, situada na rua Olegário Maciel (Rua da Estação).

- Calçamento com paralelepípedos, da Rua Olegário Maciel, com ampliação dos passeios da referida rua.

– Escola Municipal do Bairro da Água Limpa, esta feita com verba retirada de seu próprio bolso.

– Doação de verba, de seu próprio bolso, para impedir o fechamento do Ginásio de Cristina que estava em crise quando da saída de seu primeiro diretor Dr. Maurício de Toledo e entrada de Willeken Keller.

– Concessão da exploração do terreno e prédio do Ginásio de Cristina, ao professor Willeken Kelller, por um período de 4 anos, pela lei 226 de 27 de fevereiro de 1995.

- Criação da Escola Técnica de Comércio "Brasil América"

– Ajudou na construção da Igreja Matriz e Vila Vicentina

– Construção da Caixa d'água e do antigo Santo Cruzeiro

– Autorizou verba para a realização da primeira exposição agro pecuária de Cristina, pela lei 610 de 28 de agosto de 1968.

– Autorizou a assinatura de contrato de fornecimento de energia elétrica com as Centrais Elétricas de Minas Gerais – CEMIG, pela lei 668 de 27 de abril de 1970