Cripta Dr. Silvestre Ferraz

Segundo o historiador itajubense Armelim Guimarães e o cristinense José dos Reis Ferraz, os restos mortais do cristinense Dr. Silvestre Dias Ferraz Júnior (falecido em 1889 – em Ouro Preto) foram trasladados de trem para Cristina, em 1908, por iniciativa de seu irmão Dr. Fausto Dias Ferraz., na gestão do então prefeito Godofredo Pinto da Fonseca, que apoiou o Dr. Fausto na construção de uma cripta e um busto em bronze para depositar os restos mortais de seu irmão e assim fazer uma homenagem póstuma a ele devido aos grandes feitos que havia realizado em prol a região sulmineira, em especial, a vinda da Estrada de Ferro Sapucaí para Cristina.Esta ferrovia foi de vital importância para o crescimento da economia de Cristina e das cidades por onde passava, pois melhorou o meio de transporte – precário na época – facilitando o escoamento da produção agropecuária da região.O monumento foi inaugurado em Cristina em 15 de novembro de 1908 e permanece ali até hoje. Em 1972, durante reforma da Praça, a base do monumento ganhou um revestimento com pastilhas. Em outras administrações, o gradil centenário foi repintado por diversas vezes, descaracterizando-o. Em 2002, com a revitalização da Praça Santo Antônio, através de recursos de ICMS Cultural, o monumento passou por uma revitalização geral – através da restauradora Cristiana Cavaterra.

Contextualização

"Bem Imóvel" de extrema relevância cultural/histórica por lembrar os usuários da Praça Santo Antônio sobre o trabalho do ilustre cristinense Dr. Silvestre Dias Ferraz Júnior, durante a sua gestão na Assembléia da Província, para a vinda da Estrada de Ferro Sapucaí para Cristina e região. Esta ferrovia foi de vital importância para o crescimento da economia local e das cidades por onde passava, pois melhorou o meio de transporte – precário na época – facilitando o escoamento da produção agropecuária da região, permanecendo ativa até a década de 70.As obras da Estrada de Ferro Sapucaí começaram no dia 23 de fevereiro de 1889. Em 1890 foi inaugurado o primeiro trecho, entre Soledade e Carmo de Minas. Em 1? de agosto, do mesmo ano, foi inaugurada a Estação do Ribeiro e em 15 de março de 1891 foi inaugurada a Estação de Cristina."Inaugurou-se ante-ontem, A Estrada de Ferro do Sapucahy. De Soledade a Christina. O ponto mais alto é a Garganta dos Pinheirinhos, a 1.080 m de altitude. Esteve presente à inauguração o engenheiro fiscal do governo Dr. Lucas Magalhães, que percorreu toda linha, examinando-a devidamente."(texto retirado do Jornal do Commércio – dia 17 de março de 1891).Em Cristina no ano de 1972, durante a gestão do prefeito Dr. Walter Rodrigues, a estrada de ferro, seus trilhos e dormentes arrancados e seu leito pertencente a RFFSA, ocupado por posseiros e vizinhos do leito ferroviário.Luta do Dr. Silvestre Dias FerrazEm 1883, falava-se na construção de uma estrada que partiria de Soledade de Minas, passaria atrás da Serra de Cristina, indo à Pedra Branca (atual Pedralva). Dr. Silvestre,representante do sul de Minas na Assembléia da Província, lutou para que a estrada fizesse outro rumo, isto é, passar por Silvestre Ferraz (atual Carmo de Minas), Cristina e Itajubá. Seu projeto foi posto em discussão e aprovado. A 25 de outubro de 1887, ele entregou à Câmara de Itajubá a pena de Ouro com o qual foi assinada a lei concedendo privilégios e favores a dita via férrea, Estrada de Ferro Sapucaí."A sociedade anônima, Estrada de Ferro Sapucaí tinha por fim a construção, uso e gozo da ferrovia que, partindo do ponto mais conveniente da ferrovia "Minas e Rio" e terminasse nos limites da Província de Minas Gerais com a de São Paulo, no município de Ouro Fino, nos termos do contrato assinados pelos engenheiros Carlos Euler Júnior e Raimundo de Castro Maia com o governador de Minas, em 12 de outubro de 1887 e de conformidade com as leis n?s 3.384 e 3.419, de 15 de julho de 1889 e 29 de agosto de 1887″. (texto extraído de Livro de Atas sobre a ferrovia – Sessão realizada no dia 15 de março de 1888, sob a presidência do senador Antônio Cândido da Cruz Machado).A primeira estrada de ferro de Minas Gerais, chamava-se Minas e Rio. A segunda, Estrada Sapucaí. Houve uma terceira que tinha o nome de Companhia Mozambinho de Estrada de Ferro que fazia o trajeto da estação de Freitas até a cidade de Campanha.Mais tarde, estas três estradas de ferro formaram a Rede Mineira de Viação Sul (RMVS), que posteriormente passou a ser denominada Viação Férrea Centro Oeste (VFCO) de depois até a sua desativação, em 1972, Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA).O Monumento é muito respeitado pela tradicional família Ferraz, que se reúne de vez em quando em Cristina para homenagear o antepassado ilustre e também participar de um almoço de confraternização, com a participação de membros de diversos municípios.Durante a revitalização da Praça Santo Antônio, em 2001 e 2002, o Conselho Municipal de Proteção ao Patrimônio Cultural de Cristina convocou os familiares da família Ferraz para a abertura da cripta com o objetivo de verificar as sujidades do monumento e prestar homenagens póstumas ao eminente cristinense. Neste dia, houve também uma benção ao túmulo com a presença do Padre Vítor Silvane.Uma outra curiosidade no desenvolvimento histórico de Cristina é o fato de Cristina ser conhecida como a cidade que possui na praça um "Leão solto e um Homem preso", pois o "Busto do Dr. Silvestre Ferraz" fica cercado por um gradil e a estátua do "Leão" fica aberta. Isso é motivo de muitos risos e piadas.

Descrição Detalhada

Este monumento consta de uma cripta, um pedestal em granito esculpido e um busto em bronze do conterrâneo cristinense Dr. Silvestre Dias Ferraz Júnior. Na cripta são guardados os ossos desse benemérito que faleceu em 1889, em Ouro Preto, de sua mãe e também de uma criança da família Ferraz, que faleceu de gripe espanhola no Rio de Janeiro. Em cima do pedestal está o busto em bronze deste venerando benfeitor do sul de Minas. Todo conjunto é cercado por um gradil de ferro, em estilo império, sendo ajardinado ao redor, por dentro do gradil. Um portão de ferro dá acesso ao monumento.

TIPOLOGIA DOMINANTE: O pedestal tem características neoclássicas e formato prismático em granito, em cujo ápice encontramos flores entalhadas à mão nas quatro fases que suporta o busto em bronze. Na base do monumento percebe-se o jogo de pirâmides de granito revestindo as elevações dispostas simetricamente com molduras de granito apicoadas. A entrada do cercado tem portão de duas folhas seguindo a simbologia neoclássica. A entrada da cripta, que permanece sempre fechada, está protegida por uma placa de granito liso, polido, ficando próxima ao portão de entrada com uma pequena inclinação. A cripta e o busto localizam-se dentro de uma base quadrada, regular, que apoia grade de ferro forjado de estilo Imperial.
SISTEMA CONSTRUTIVO: Monumento construído em alvenaria estrutural definido por base regular onde está situado no centro o pedestal de granito que sustenta o busto. Estrutura de alvenaria de tijolos maciços-estruturais. Não há vãos na edificação, pisos, cobertura; e sim uma câmara subterrânea com teto de cimento armado que sustenta o prisma de granito.
PARTIDO: Retangular-regular de pavimento único com entrada frontal para o monumento. O monumento se encontra na extremidade norte do canteiro central, livre de qualquer barreira visual, ao nível da rua, onde o usuário percebe a sua totalidade de qualquer ângulo de abrangência. O acesso é livre e existe um afastamento generoso da ocupação urbana em todo o seu entorno. O monumento é circundado por canteiros baixos que permite a visualização do todo.

TIPOLOGIA ESTILÍSTICO-FORMAL: Nas quatro fachadas do monumento verifica-se uma mesma tipologia estilísticas composta por base retangular-regular com pedestal erguendo-se no centroNo pedestal de granito de formato obelisco quadrangular, há inscrições em todos os lados:A) Nas costas do busto: À Pátria, a Minas Gerais e a Liberdade devotou coração e CérebroB) Lado esquerdo: Filho extremoso e irmão dedicadoC) Lado direito: Amigo leal e médico de caridadeD) Na frente do busto: A cidade de Christina, prestando homenagem e culto a memória querida de um de seus mais illustres e beneméritos filhos, guarda aqui os ossos do Dr. Silvestre Dias Ferraz Júnior. Nascido aos XIV de abril de MDCCCLI (1851). Fallecido em Ouro Preto, a I de fevereiro de MDCCCLXXXIX, ocupando a presidência da Assembléia provincial de Minas Gerais (1889).E) Há também as inscrições em duas placas, na parte baixa do pedestalInaugurada a 15 de novembro de 1908Presidente da República e do Estado e do MunicípioExmos SNRS. Dr. Afonso A M. Penna/ Dr. João Pinheiro da Silva/Capitão Godofredo Pinto da Fonseca/Bispo da Diocese e Vigário da Paróquia/Exmo e Revmo. Conde D. J. Batista Corrêa /Padre Pedro Macário de Almeida.

Diretrizes de intervenção

Desde a construção do Busto e da Cripta do Dr. Silvestre Dias Ferraz Júnior, no início do século XX, na Praça Santo Antônio, nenhuma medida direcionada a preservação original do monumento foi adotada. Devido a este agravante, o monumento passou por algumas descaracterizações.No ano de 1972, na gestão do prefeito Benedito Teixeira de Carvalho, a Praça Santo Antônio foi toda reformada. Durante as obras, a base do cercado ganhou azulejos marrons e as grades foram repintadas por diversas vezes.Somente após a reativação do Conselho Municipal de Proteção ao Patrimônio Cultural de Cristina em 2000 é que o trabalho de preservação começou a ser realizado em Cristina através da adoção de uma política cultural.No ano de 2002, o Conselho Municipal de Patrimônio decidiu aplicar o recurso de ICMS cultural na revitalização da Praça Santo Antônio, devido ao estado de degradação dos pisos e canteiros e também dos patrimônios históricos ali existentes: Cripta e Busto do Dr. Silvestre Dias Ferraz Júnior, Leão e Peixinho.Afim de se estudar o melhor processo para restaurar os monumentos acima citados, a Secretaria Municipal de Turismo, Cultura e Meio Ambiente, órgão que trabalha diretamente com o Conselho Municipal de Patrimônio, trouxe em Cristina profissionais da Fundação de Artes de Ouro Preto (FAOP) para fazer pré-análise das peças e propor um orçamento para a realização do trabalho. A Secretaria também entrou em contato com uma outra profissional, a restauradora Cristiana Antunes Cavaterra que também fez a pré-análise e sua proposta para o trabalho. O Executivo decidiu que a restauradora Cristiana, iria desenvolver a revitalização deste monumentos, devido ao alto custo pedido pela FAOP.

Restauração da cripta e do busto

Durante a revitalização do monumento, o Busto foi polido, o pedestal foi lavado e as inscrições do pedestal foram repintadas. O interior da cripta também foi limpo com a retirada de terras e infiltrações de água. O revestimento de pastilhas da base do cercado do monumento (colocado na reforma de 1972) foi trocado por revestimento de granito, oferecendo ao monumento uma maior dignidade e conferindo-lhe mais beleza. A pintura do gradil do cercado, antes pintado com diversas camadas de tinta esmalte brilhante, foi retirada com pintoff (removedor) e espátula. Após a total remoção da tinta, o gradil foi constatado ferrugem em toda extensão do perímetro. Devido a esta intempérie, a restauradora revestiu o gradil com tinta protetora de metais na cor grafite escuro para imitar a cor do ferro, como era o monumento original.Atualmente a obra é limpa semanalmente pelo jardineiro da Prefeitura e encontra-se no tempo, sujeito a sujidades provenientes de intempéries e poluição do ar. Uma vez por ano, o busto é polido, o pedestal é lavado com escova e sabão neutro e as inscrições são demarcadas.